sexta-feira, 20 de agosto de 2010

                                      Literatura brasileira

  Saudações, caros leitores! Enquanto pensava, nesta semana, sobre o que escrever, olhava para os livros a minha frente e fui analisando os títulos até que meus olhos pararam num pequeno, porém interessantíssimo, livro chamado: Eu e Outras Poesias. De meu poeta preferido: Augusto dos Anjos.

   Augusto dos anjos veio da Paraíba para o Rio de Janeiro em 1910. Com 26 anos, recém-casado, pensava conseguir na capital do Brasil um meio de subsistência compatível com a cultura e o talento que possuía. Não teve êxito e sua desilusão foi ainda maior. Seu único livro publicado teve auxílio financeiro do irmão. Falece prematuramente em 1914 com, somente, 30 anos de idade. Seu sucesso vem postumamente.

  Augusto dos anjos é, geralmente, considerado pré-modernista e não modernista, pois sua poesia é claramente influenciada pela visão pessimista do simbolismo e pela linguagem rebuscada, típica do parnasianismo.

 Gostaria de apresentar-lhes um poema de Augusto dos Anjos que gosto em demasia.

                    Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -

Foi tua companheira inseparável!

 

Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.

 

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

 

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!

 

A análise da poesia nos mostra essa visão de mundo extremamente pessimista e também mostra-nos, na segunda estrofe, um retrato da condição humana sobre um ponto de vista um tanto quanto determinista. 

  A poesia de Augusto dos Anjos possui, inegavelmente, uma complexa homogeneidade emocional e uma musicalidade sensacional, que vêm, ao longo dos anos encantando leitores desde os leigos até os críticos literários.   

3 comentários:

  1. lindo poema!
    "Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

    O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

    A mão que afaga é a mesma que apedreja."


    lições duras e pessimistas... ensinada de maneira tão poética e suave de ouvir.
    genial!

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  2. Júlia Monteiro de Vasconcelos4 de setembro de 2010 20:20

    Aihn, amor *----* eu também amo esse poema e amo mais ainda você ! s2 E que riqueza as suas palavras têm! s2 *-------------* Riqueza essa que não se compara à sua riqueza de caráter e sentimento. s2 TE AMO DEMAIS, meu príncipe geek, fofo, lindo, perfeito e maravilhoso !!! s2

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  3. abraço...hian oliveira

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